Cinéfila que sou, fui na terça-feira dia 17/03, assistir o filme chamado "Entre os Muros da Escola", entusiasmada com a ideia de mais uma vez ver o universo escolar retratado na telona.Embora o filme tenha recebido notórias críticas e ser vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 2008, muita gente saiu desapontada, eu digo que fiquei espantada, pelo desfecho do mesmo e pela reação das pessoas.Talvez esse desapontamento se deva a falta de intuição que a grande maioria das pessoas tem, sem pressupor de que o filme não seria como os outros, pois não se trata de uma trama hollywoodiana e sim de uma trama francesa, é um filme diferenciado para um público diferenciado, apesar das várias coincidências com o já famoso "Escritores da Liberdade", o enredo de ambos são idênticos, inclusive a inspiração para as obras é a mesma e também com muito sentido.Ambos utilizam o livro "Diário de Anne Frank" como motivador dos sentidos dos alunos.O diário de Anne Frank era a confissão do um momento difícil e também porto seguro da mesma, nas páginas encontramos relatos históricos que foram escritos sob a ótica de uma adolescente vítima da perseguição do Nazismo, que encontrava nessa técnica um momento de libertação, já que ela ficou dois anos em confinamento.Não obstante e nessa mesma linha de pensamento pressuponho que ambos os filmes utilizaram o livro como inspiração para que os alunos pudessem ser entendidos por meio de suas confissões, e facilitar o relacionamento professor x aluno e escola x família.Acontece que Escritores da Liberdade é um filme americano e como não podia de ser termina com final feliz, agora no "Entre os Muros da Escola", produção francesa, não tem sequer fim, a maioria dos espectadores acostumados com a cultura cinematográfica americana, saem decepcionados e "viajando na maionese"literalmente, pois quando menos se espera acende as luzes do cinema e deu, acabou o filme, tchau, todos para casa.Espanto geral, porém extremamente filosófico, o fato é que não ter um fechamento esperado , já é ter um fechamento, isto é, deixar a questão em aberto para que houvesse espaço para discussão e problematizacão de vários possíveis e outros fechamentos.Enquanto educadora me fez pensar até onde posso interferir na educação desse cidadão? Posso ultrapassar o muro da escola? Posso interferir na vida extra-classe desse aluno? E se eu souber seu contexto histórico-social, mudaria minha forma de agir com ele? Esse aluno teria algum privilégio? O meu profissionalismo não é universal?Quantas questões... eu pensei e o filme me agradou, embora ainda não tenha respostas para tais questões, mas isso é Filosofia, é a incerteza de não encontrar respostas, é esse eterno questionamento. Ainda mais quando uma das cenas finais do filme é o relato de uma aluna que diz não ter aprendido nada na escola, mas houvera aprendido com o livro de sua irmã mais velha, que lera em casa e para meu orgulho, o livro era "A República" de Platão, onde havia um homem chamado .... Sócrates, que questionava tudo e ela achou aquilo o máximo.Eu achei aquela cena melhor ainda, pois, tenho sérias dúvidas se o aprendizado da Filosofia tenha que ser restrito a quatro anos de academia ou 50 minutos de aula, existe esse lugar para o saber?Não estou me desvalorizando minha classe, nem tão pouco quero ficar desempregada, mas adoraria esbarrar numa esquina com um zé-ninguém proferindo Platão, ou então que jovem donzelas tivessem ao lado da cama a "Critica da Razão Pura" de Emmanuel Kant, como era de costume no século XVIII.Mas acordamos para realidade vivemos em outros tempos, onde a Filosofia embora não muito reconhecida é acessível para todos, portanto não vá ao cinema assistir "Entre os muros da escola" sem ao menos ler a sinopse, pois diferentemente da Filosofia, o filme não é para qualquer um.
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