Toda vez que perguntam sobre minhas origens, fico bem confusa.
Filha de um casal já beirando os 50 anos, nasci na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, tradicional cidade dos doces, meu pai que já conhecera aposentado é o meu maior exemplo de como ser um bom pai, não por ser o meu, mas por fazer de todos aqueles que a sua volta estavam sentirem-se seguros, minha mãe na época professora de uma escola especial, onde comecei minha carreira no magistério aos 14 anos.
Meu pai mal sabe de onde saiu, muito cedo apostou na carreira solo e abandonou todo o seu passado, sobre sua infância nada comenta e as lembranças de adolescente são divididas com as da minha mãe, fase que se conheceram, meu pai “sócio fundador da CEEE” encontrou em Uruguaiana sua mais nova família, seu porto seguro e sua fiel companheira.
Ela natural da fronteira, de uma família de seis irmãos, com pai comunista e mãe argentina. Minha avó ao que ouço era uma pessoa muito forte, guerreira, aguerrida aos seus que muito cedo sentiu a perda do amado, que por um acidente morreu quando trabalhava na construção da ponte que hoje liga o Brasil com a Argentina, dele não ouço muito, alias minha mãe mal o conheceu, sua lembrança mais forte ainda é da época em que a ditadura fazia suas maiores atrocidades, todos documentos de meu avô foram roubados ou perdidos e se acabaram no tempo, até porque era incomcebivel alguma ligação com o comunismo na época, nem ao menos a suspeita, a única coisa que restou por um bom tempo foi um recorte de jornal que minha avó guardou a sete chaves onde ali estava escrito o suposto envolvimento do meu avô com o socialismo radical.
Pobre mulher tão só ficou e com seis filhos para criar ainda tinha por vezes sua casa invadida pelas perseguições dos militares, mesmo assim todos filhos tiveram a possibilidade de estudar e seguir honestamente suas vidas, a minha mãe talvez tenha concedido o seu melhor... desde seu estereótipo atípico até o gênio caliente de uma castelhana em fúria.
Se eu pudesse simplesmente dizer que sou brasileira pelo simples fato de ter isso escrito na minha identidade, meus problemas estariam por findar, mas ai seria covardia não assumir esse passado que muito me orgulha e que no mínimo fora revolucionário, será mesmo que tudo isso fora uma grande coincidência com essa pessoa que me tornei? Fora supostamente, acho que não, a alma castelhana de “mi abuela que solamente hablava castellano y por Dios se fue sin al menos yo conocerte,” se faz muito presente. Hoje eu recebi um email, onde dizia que cada pessoa tem um jeito que é só seu, eu concondo com isso sim, mas também sou um pouco daquilo que herdei misturado a uma boa dose de alegria pela vida onde oferto meu talento para fazer rir e celebrar cada minuto como se fosse o último. Assim como Nietzsche dizia isso é um eterno retorno, não me levará a lugar nenhum, nem tão pouco resolverá alguma adversidade, até porque isso me desliga de minhas fontes reais e acabo sacrificando o próprio movimento da vida apenas me preocupando com a verdade.
Filha de um casal já beirando os 50 anos, nasci na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, tradicional cidade dos doces, meu pai que já conhecera aposentado é o meu maior exemplo de como ser um bom pai, não por ser o meu, mas por fazer de todos aqueles que a sua volta estavam sentirem-se seguros, minha mãe na época professora de uma escola especial, onde comecei minha carreira no magistério aos 14 anos.
Meu pai mal sabe de onde saiu, muito cedo apostou na carreira solo e abandonou todo o seu passado, sobre sua infância nada comenta e as lembranças de adolescente são divididas com as da minha mãe, fase que se conheceram, meu pai “sócio fundador da CEEE” encontrou em Uruguaiana sua mais nova família, seu porto seguro e sua fiel companheira.
Ela natural da fronteira, de uma família de seis irmãos, com pai comunista e mãe argentina. Minha avó ao que ouço era uma pessoa muito forte, guerreira, aguerrida aos seus que muito cedo sentiu a perda do amado, que por um acidente morreu quando trabalhava na construção da ponte que hoje liga o Brasil com a Argentina, dele não ouço muito, alias minha mãe mal o conheceu, sua lembrança mais forte ainda é da época em que a ditadura fazia suas maiores atrocidades, todos documentos de meu avô foram roubados ou perdidos e se acabaram no tempo, até porque era incomcebivel alguma ligação com o comunismo na época, nem ao menos a suspeita, a única coisa que restou por um bom tempo foi um recorte de jornal que minha avó guardou a sete chaves onde ali estava escrito o suposto envolvimento do meu avô com o socialismo radical.
Pobre mulher tão só ficou e com seis filhos para criar ainda tinha por vezes sua casa invadida pelas perseguições dos militares, mesmo assim todos filhos tiveram a possibilidade de estudar e seguir honestamente suas vidas, a minha mãe talvez tenha concedido o seu melhor... desde seu estereótipo atípico até o gênio caliente de uma castelhana em fúria.
Se eu pudesse simplesmente dizer que sou brasileira pelo simples fato de ter isso escrito na minha identidade, meus problemas estariam por findar, mas ai seria covardia não assumir esse passado que muito me orgulha e que no mínimo fora revolucionário, será mesmo que tudo isso fora uma grande coincidência com essa pessoa que me tornei? Fora supostamente, acho que não, a alma castelhana de “mi abuela que solamente hablava castellano y por Dios se fue sin al menos yo conocerte,” se faz muito presente. Hoje eu recebi um email, onde dizia que cada pessoa tem um jeito que é só seu, eu concondo com isso sim, mas também sou um pouco daquilo que herdei misturado a uma boa dose de alegria pela vida onde oferto meu talento para fazer rir e celebrar cada minuto como se fosse o último. Assim como Nietzsche dizia isso é um eterno retorno, não me levará a lugar nenhum, nem tão pouco resolverá alguma adversidade, até porque isso me desliga de minhas fontes reais e acabo sacrificando o próprio movimento da vida apenas me preocupando com a verdade.
Vale ver o fime "Café com Maestros".
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